Por: Capital 95 | 2026-08-14
Há quem passe a vida inteira ajudando a construir histórias de sucesso sem aparecer na fotografia. Alan Coração conhece bem esse lugar. Empresário que ajudou a consolidar carreiras e projetos importantes da música brasileira, ele decidiu, agora, trocar os bastidores pelo centro do palco. E o nome escolhido para esse novo capítulo não poderia ser mais simbólico: “Meu Destino”.
Na noite da última quarta-feira, 12 de agosto, o empresário registrou, no Coração Sertanejo, em São Paulo, seu primeiro DVD. A reportagem de OFuxico acompanhou tudo de perto e conferiu o projeto que reuniu justamente alguns dos artistas que fazem parte de sua trajetória, entre eles Leonardo, Luiz Carlos, do Raça Negra, Luciano Camargo, Yasmin Santos, Fátima Leão, Cezar e Paulinho, além de Gabi e Rapha.
Mais do que uma gravação, entretanto, a noite teve gosto de celebração. Com a casa cheia, amigos, contratantes, imprensa, nomes da vida pública e artistas acompanharam o registro madrugada adentro. No palco, Alan não apenas cantou. Ele apresentou ao público uma faceta que, segundo ele próprio, sempre esteve à espera do momento certo para aparecer.
O destino, afinal, não apareceu de repente
A relação de Alan com a música começou muito antes de ele pensar em assumir o microfone. Ainda criança, ele acompanhava o pai ao som de Milionário e José Rico. Depois, testemunhou praticamente todas as grandes transformações da indústria fonográfica.
Vieram os rolos de fita, o vinil, a fita cassete, o CD, o pen drive e, por fim, as plataformas digitais. Assim, quem começou ouvindo música em uma época completamente diferente da atual passou décadas acompanhando as mudanças do mercado por dentro.
“Comecei ouvindo músicas com meu pai, ouvindo Milionário e José Rico. A essência musical foi Milionário e José Rico”, relembrou Alan em conversa com OFuxico.
A experiência também moldou sua visão sobre o futuro. Para ele, a velocidade das redes sociais e dos serviços de streaming mudou a maneira de consumir música, mas não aposentou formatos anteriores.
“Alguns falam que são maiores que a rádio, mas não. Uma completa literalmente a outra”, afirmou.
Por isso, Alan prefere olhar para as transformações sem transformar passado e futuro em adversários. “A gente tem que estar atento às atualizações de mercado, para que possa entregar nosso trabalho com excelência e que o trabalho seja um sucesso”, destaca.
‘Meu Destino’ é, antes de tudo, um projeto de verdade
Com 31 músicas registradas, o audiovisual reúne seis blocos de inéditas e 25 regravações de sucessos do sertanejo. O repertório, portanto, funciona quase como uma ponte entre a história que Alan ajudou a construir e a nova estrada que decidiu percorrer.
O empresário, contudo, não está preocupado apenas com números ou alcance. Quando questionado sobre o que deseja para o próprio destino, faz questão de voltar ao essencial: a conexão com quem está do outro lado.
“Quando a gente faz qualquer tipo de projeto, busca a satisfação. E a satisfação não pode ser só pessoal. É quando faz as pessoas felizes, quando gostam, quando entendem e sentem nesse projeto a verdade, a personalidade”, explicou ele a OFuxico.
Depois, resume a filosofia que levou para o palco: “Meu objetivo com esse projeto é esse, é que as pessoas gostem porque eu estou fazendo de coração”.
Uma família inteira dentro do destino
Se o palco marcou o nascimento de Allan artista, a família tratou de lembrar que nenhuma trajetória é construída sozinho. Durante a gravação de “Ela Sempre Foi Assim”, Júlia, filha de Alan, aos 15 anos, sentou-se ao piano para acompanhar o pai.
O momento ganhou ainda mais significado quando a jovem declarou nas redes sociais: “Meu coração está transbordando de orgulho do meu pai”.
Na reta final da noite, outra participação transformou o registro em uma lembrança de família. Eliseu, pai de Alan, subiu ao palco e encerrou o audiovisual ao lado do filho.
Antes disso, Allan já havia reservado um espaço especial para falar de outra pessoa fundamental em sua história: Tia Creusa. Foi ela quem, segundo o artista, enxergou potencial quando ele próprio atravessava um dos períodos mais difíceis de sua vida.
“Todo mundo precisa de alguém que acredite na gente. E a Tia Creusa não foi só amor e carinho: quando eu estava lá no fundo do poço, ela olhou para mim e falou: ‘Esse menino vai dar certo’”, contou.
Do backstage para a própria história
A noite ainda teve open bar, open food e um after que prolongou a celebração. Entre resenhas e encontros, até o universo do “Cabaré”, de Leonardo, encontrou espaço no palco.
No fim das contas, existe uma ironia bonita na história de Allan Coração. Durante anos, ele ajudou outros artistas a encontrarem seus caminhos enquanto construía sucesso longe dos holofotes. Agora, decidiu assumir o próprio.
“Meu Destino” chega, portanto, como mais do que o título de um DVD. É a tradução de uma trajetória que começou ouvindo Milionário e José Rico ao lado do pai, passou por diferentes eras da indústria e desembocou, finalmente, diante de uma plateia.
Desta vez, Allan não estava nos bastidores contando a história de alguém. Era ele quem estava escrevendo a própria.
