Por: Capital 95 | 2026-08-25
O hábito simples de afivelar o cinto de segurança antes de dar a partida ainda é ignorado por milhares de motoristas e passageiros que circulam em Campo Grande. Dados sobre o trânsito da Capital mostram que, de janeiro até o dia 8 de agosto de 2026, a falta do cinto de segurança foi a infração mais registrada, somando 7.037 autuações.
Conforme os dados, o número supera infrações graves e rotineiras na cidade, como dirigir com o licenciamento vencido, que tem cerca de 6.678 multas registradas. Avançar o sinal vermelho chegou a 5.259 registros.
- Realizar conversão proibida – 2.478;
- Mexer no celular ao volante – 2.137;
- Falta de CNH – 1.892;
- Recusa ao teste do bafômetro – 1.836;
- Autuação por alcoolemia confirmada – 77 registros
Em entrevista ao Jornal Midiamax, a chefe de comunicação do BPMTran (Batalhão de Polícia Militar de Trânsito), tenente Carla Coutinho, ressalta que o cinto de segurança continua sendo deixado de lado, mesmo com a obrigatoriedade prevista em lei há décadas.
“É um assunto que já é falado há muito tempo, mas ainda existe essa falha por parte do condutor de não fazer o uso do cinto de segurança. É uma infração grave. O cinto deve ser usado em todas as circunstâncias por todos os ocupantes do veículo. Tanto o condutor como os passageiros, tanto o passageiro da frente quanto os passageiros de trás. E em qualquer ocasião, seja na cidade, rodovia ou zona rural”, alertou a tenente.
A militar também reforça que a obrigação de garantir a proteção coletiva dentro do carro é de quem está na direção.
“A responsabilidade de cobrar a utilização desse cinto é do próprio condutor. Então o condutor entra, ele afivela o seu cinto, depois deve falar para os demais passageiros do veículo que estão com ele: ‘Olha, coloca o cinto de segurança!’ Porque a responsabilidade é dele. Se for autuado por falta de cinto de segurança, por qualquer um deles, vai ser responsabilidade do condutor”, explica.
Além do cinto, Carla pontua que a imprudência e a distração formam uma combinação fatal no trânsito diário. “Os principais motivos de graves acidentes começam pelo excesso de velocidade. Quando você está em uma velocidade baixa, no caso de Campo Grande, as vias permitem até 50 km por hora, você tem condição e tempo de reação maiores para poder evitar um acidente. Então, se você está com excesso de velocidade, você não vai ter tempo, você não vai conseguir evitar esse acidente”, destacou.
A tenente complementa que o uso de telas e a pressa completam as principais causas de colisões.
“A pessoa está distraída por vários motivos. E o que mais tem acontecido: celular. A pessoa não consegue mais desconectar o ‘carão’ colado no aparelho celular, no WhatsApp ou em qualquer outra coisa. Fica conectado e olhando para baixo ou olhando para a tela e não está prestando atenção no trânsito. E tem o desrespeito à sinalização de forma geral. Muita gente avança o sinal vermelho porque quer, porque está com pressa e não planejou o deslocamento. Isso causa acidente sem precedentes.”
No dia 7 de agosto, o jovem Jhonatan Pereira de Oliveira, de 27 anos, morreu ao capotar o carro que conduzia na Avenida Guaicurus, em Campo Grande. Uma adolescente de 17 anos e um rapaz de 24 estavam no veículo no momento do acidente. O trio voltava de uma conveniência.
No local da colisão, foram levantados indícios de que o motorista estaria sem o cinto de segurança no momento do impacto. O caso segue sendo investigado pelas autoridades de trânsito e pela perícia técnica para a confirmação das circunstâncias do fato.
Viatura da GCM flagrada com agentes sem cinto
Apesar da obrigatoriedade e da fiscalização constante nas ruas, a conduta irregular não se restringe aos motoristas civis. A equipe de reportagem do Midiamax flagrou uma viatura da GCM (Guarda Civil Metropolitana) circulando pela cidade com três agentes que, aparentemente, não utilizavam o cinto de segurança durante o deslocamento.
O Jornal Midiamax acionou a Guarda Civil Metropolitana para solicitar um posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
