BTS: Como os sul-coreanos conquistaram o mundo sem cantar em inglês

BTS: Como os sul-coreanos conquistaram o mundo sem cantar em inglês

Por: Capital 95 | 2026-10-26


Durante décadas, a indústria musical internacional pareceu obedecer a uma regra silenciosa: para conquistar o mundo, era 

preciso cantar em inglês. O idioma funcionava como passaporte para as grandes paradas, enquanto artistas de outros países 

precisavam adaptar suas identidades para disputar espaço no mercado global. Então, sete jovens sul-coreanos entraram em cena

 e mostraram que essa lógica estava longe de ser imutável. O BTS não apenas conquistou milhões de fãs. O grupo ajudou a mudar 

as regras do jogo.

Shows do BTS em SP devem injetar R$ 300 milhões na economia

Formado por RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook, o BTS transformou o K-pop em uma força cultural que ultrapassou 

fronteiras linguísticas, geográficas e comerciais. Mais do que uma sequência de músicas de sucesso, sua trajetória

 representa uma mudança na maneira como artistas se conectam com o público e constroem relevância em escala mundial.

O segredo, porém, não está apenas nas coreografias elaboradas, nos vocais afinados ou na estética cuidadosamente produzida.

 O diferencial foi combinar talento, identidade cultural, narrativas emocionais e uma compreensão extraordinariamente 

eficiente das possibilidades da internet.

A revolução começou antes das grandes paradas

O BTS não surgiu em um território musical inexplorado. Antes de sua estreia, grupos como Big Bang e Super Junior já 

ajudavam a ampliar a presença internacional do K-pop. Além disso, o sucesso de “Gangnam Style”, de Psy, em 2012, demonstrou 

que uma produção sul-coreana podia se transformar em um fenômeno mundial por meio do YouTube.

O BTS, entretanto, levou essa expansão a outro patamar. Em vez de depender exclusivamente das estruturas tradicionais de

 divulgação, o grupo desenvolveu uma relação contínua com os admiradores por meio das redes sociais. 

Vídeos de bastidores, transmissões ao vivo, conteúdos exclusivos e registros do cotidiano aproximaram os integrantes

 de uma audiência que não precisava esperar por entrevistas na televisão ou reportagens na imprensa para acompanhar seus ídolos.

Confira o provável setlist dos shows em SP

Essa estratégia parece natural hoje, mas representou uma vantagem importante em um período no qual muitas gravadoras ainda

 concentravam seus esforços nos meios tradicionais de comunicação.

Ao mesmo tempo, a internet não fez todo o trabalho sozinha. Ela ofereceu a infraestrutura para que uma conexão já existente

 se transformasse em uma comunidade internacional. O BTS encontrou uma maneira de tornar o público participante de sua

 trajetória, e não apenas consumidor de seus lançamentos.

Army: Quando o fandom deixa de ser plateia

Se o BTS construiu uma carreira global, o Army ajudou a transformá-la em um movimento cultural. O nome identifica a 

comunidade internacional de fãs do grupo, conhecida pela capacidade de organizar campanhas, traduzir conteúdos, divulgar 

lançamentos e mobilizar pessoas em diferentes países.

No caso brasileiro, essa participação ganhou características próprias. Fãs passaram a criar páginas especializadas, produzir

 materiais traduzidos, acompanhar notícias e desenvolver redes de colaboração para aproximar outros admiradores 

dos integrantes.

Setor-calçada não vai rolar dessa vez. Entenda!

Shows de SP estarão nas telas de cinema de todo o mundo

Confira curiosidades sobre o BTS

Esse trabalho ajuda a explicar por que o alcance do grupo não depende exclusivamente das campanhas oficiais. 

O fandom funciona como uma rede de circulação cultural: uma notícia publicada na Coreia do Sul pode chegar rapidamente 

ao Brasil, ser traduzida, contextualizada e compartilhada por milhares de pessoas.

Há, nesse processo, uma mudança importante na relação entre artista e público. O fã deixa de ocupar uma posição passiva

 e passa a contribuir ativamente para a visibilidade do ídolo.

Naturalmente, essa dedicação também revela o tamanho do investimento emocional envolvido. Para muitos admiradores, acompanhar

 o BTS significa encontrar companhia, referências afetivas e uma comunidade com interesses compartilhados. A música, portanto, 

funciona como ponto de partida para vínculos que vão muito além dos palcos.

Letras que falam de insegurança, amor e pertencimento

Outro elemento fundamental da trajetória do grupo está em seu repertório. Ao abordar temas como autoestima, bullying, pressão

 social, juventude, relacionamentos e saúde emocional, o BTS construiu narrativas capazes de dialogar com experiências comuns 

a públicos de diferentes culturas.

A língua coreana não impediu essa identificação. Em muitos casos, a tradução das letras e a circulação de conteúdos 

explicativos ampliaram o interesse dos fãs pela cultura sul-coreana. Em vez de abandonar a própria identidade para 

conquistar o exterior, o grupo demonstrou que era possível levar essa identidade para o mundo.

O engajamento social também ajudou a ampliar sua presença pública. Em parceria com o Unicef, o BTS participou da campanha

 Love Myself, voltada ao enfrentamento da violência contra crianças e jovens e à promoção do respeito próprio. 

O grupo também discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas e se reuniu com o então presidente americano Joe Biden, 

em 2022, para discutir questões relacionadas à inclusão e à discriminação contra pessoas de origem asiática.

Essas iniciativas não substituem a música, mas acrescentam outras dimensões à imagem pública dos integrantes. 

Para parte dos fãs, a conexão passa tanto pelas canções quanto pelas mensagens associadas a elas.

Brasil não ficou na arquibancada

A participação brasileira merece atenção especial nessa história. O público do país ajudou a fortalecer a presença do 

BTS na América Latina, região em que comunidades de fãs se organizaram para divulgar lançamentos, compartilhar informações

 e criar espaços de convivência.

Essa mobilização também evidencia uma característica do consumo musical contemporâneo: o sucesso internacional não precisa 

começar necessariamente nos mercados mais tradicionais, como Estados Unidos e Reino Unido. Comunidades de países considerados

 periféricos pela indústria podem se tornar fundamentais para a expansão de um artista.

No Brasil, o entusiasmo pelo BTS alimentou páginas de notícias, projetos de tradução, encontros de fãs e até iniciativas 

acadêmicas dedicadas ao estudo do fenômeno. O interesse ultrapassa a esfera do entretenimento e alcança discussões sobre 

dentidade, comportamento, comunicação, cultura digital e representação asiática.

Ao mesmo tempo, a força desse público ajuda a questionar uma visão antiga do mercado musical, segundo a qual a consagração 

internacional dependeria primeiro da aprovação americana. O BTS mostrou que uma base global diversificada pode criar condições 

para que um artista alcance mercados tradicionalmente difíceis de penetrar.

Mudança de paradigma

O sucesso do BTS não pode ser explicado por uma fórmula isolada. Talento, treinamento, investimento empresarial, planejamento 

de carreira, presença digital e participação dos fãs se combinaram em um momento favorável à circulação global de conteúdos.

Também seria simplista afirmar que o grupo eliminou as barreiras da indústria. Diferenças linguísticas, preconceitos contra 

artistas asiáticos e desigualdades na distribuição de visibilidade continuam existindo. O que mudou foi a demonstração de que 

essas barreiras podem ser enfrentadas sem que o artista precise abrir mão de sua origem.

A pausa nas atividades coletivas para o cumprimento do serviço militar obrigatório por integrantes e o desenvolvimento de

 projetos solo abriu outra etapa da trajetória do BTS. Ainda assim, o alcance cultural construído pelo grupo permanece como 

referência para a indústria musical e para artistas que buscam conquistar públicos internacionais a partir de outras línguas 

e tradições.

No fim, a maior contribuição do BTS talvez não esteja em recordes, premiações ou números de reprodução. Está em ter ajudado

 a desmontar a ideia de que o mundo precisa compreender cada palavra para reconhecer uma emoção.

Sete jovens sul-coreanos mostraram que a música pode atravessar fronteiras sem pedir licença para existir em outro idioma. 

E, quando o público se reconhece nessa experiência, o que parecia uma barreira se transforma em ponte.



Fonte: OFuxico


ULTIMAS NOTÍCIAS



• AO VIVO